Dies Irae

quinta-feira, maio 25, 2006

Bom dia, se é que posso te chamar de dia...

estendi o tapete para você passar.

Aproveite e leve consigo todos os seus pertences;
já que nosso amor não cabe mais
e os discos, rachados, repetem a mesma música.

Por todos os cantos a lembrança...
cantos deseperados, entoados pelo desejo;

noites em claro.

Dias escuros.
Dias frios em que um sorriso sincero é almejado como o ouro...

Dias em que pensamos em ficar em casa;
até o momento que nos damos conta,
de que não há casa.

Posso ser o que você quiser,
se você também assim fizer;
só não diga que preferes o frio ao calor...
eu não iria acreditar.

Molha teus lábios pra ficar bonita
e tem todos os jeitos do mundo.

Corre o perigo de sair lá fora e ver tudo acabar

O tudo, intimidado perante tua beleza...

Eu, admirador teu;
fadado a perecer também...

por consumar-se em teu olhar.






Bright Eyes - First day of my life.

segunda-feira, maio 22, 2006

Um dia de chuva,
com filmes e cobertor;

Ouvir "Te amo" sussurradinho, ao acordar...

Incenso,
um banho juntos.

Deslizando o dedos pelos teus cabelos,
chegar na tua boca e sentir o gostinho do teu amor

conversar horas e mais horas,
rir um do outro.

Brigar por ciumes bobos,
tudo bem eu te amo também...

escolher a roupa que eu mais gosto...
hm.. que tal aquele vestido vermelho e preto?

Hoje tem sol,
vamos na praia?

Amo você...

te contei do indio e do dragão.. lembra?

Te ouvir falar coisas bonitas.. tem coisa melhor que isso?

Te dizer que você é a única por quem faz bater tao forte esse coraçãozinho...

Não perceber as horas passarem do teu lado...
desejar todo tempo do mundo para passar assim.

Hoje tem sol,
vamos na praia?
te contei do indio e do dragão.. lembra?

Saber que em tudo você está comigo, e isso basta.

Lembrar com lágrimas de felicidade...
que sou feliz
só por ter você do meu lado.

Devo agora deixar meus sonhos de lado,
só por que você estava em todos eles
e agora desdenha meu carinho?

Tolo fui eu,
acreditando em você.

Como pode deixar de se gostar de alguém?
Não consigo entender...

O amor continua ali no mesmo lugar;
não encontro ele em outros lábios
jamais procurei encontrar também
pois já tinha mais do que eu precisava:
tanto, que fugiu de mim.

Viramos as costas e escondemos as lágrimas

Como se todos os momentos juntos não significassem mais nada;
e todo aquele sentimento que já fazia parte simplesmente me foi tirado.

A partir de então tudo se tornou confuso.

Talvez não devessemos ter trocado tais promessas..
Não consigo parar sonhar com a realização das mesmas.

Mas os dias são outros, e você aprendeu que com a faca se é ferido; com a faca se fere...

Não acredita em amor, tem medo dele.

E o pior de tudo é que eu sou o grande causador da sua insônia;
aquele que te faz gritar de felicidade bem alto, e chorar com a maior raiva.

Hm, Mas sabe o que você causa em mim?

A lembrança dos dias mais felizes, um sorriso sincero;
o carinho verdadeiro...

Toda uma troca.

Podemos olhar com indiferença e tomar nossos rumos?

Eu acho que nao...

domingo, maio 21, 2006

Um certo dia, todos sonhos começaram a se parecer com a realidade;
E pular de prédios deixaram de ser simples pesadelos:
a dor era real.

Agora é tarde demais para colher as rosas sem temer os espinhos.

Tudo o que é real se mescla de um modo confuso com uma outra realidade;
Os sorrisos escondem o mais desesperado clamor.

As paixões são como as estações, indiferentes
desregradas...

Mas nenhum super-aquecimento pode derreter essas geleiras.
E o frio contradiz tudo, sensualmente.

Cegos guiam cegos rumo ao vale das incertezas.

E um estranho pressentimento se torna meu estado de alerta;
permanente...

Dias insólitos,
dias de amor e cinza...

Dias em que nos prostamos perante nossas consciências e não encontramos mais nada além de "noise".

Dias...
nossos dias estão contados...
Podemos ser felizes enquanto contamos eles ao menos?

Me dê o seu sorriso!

quinta-feira, maio 11, 2006

Tinha uma casinha no lago, uma vez.

Uma garotinha me contou.

Disse à ela que eu não tinha aonde passar a noite,
e ela me respondeu:

-Eu tenho que encontrar ela antes, você quer me ajudar a procurar?

Não hesitei em concordar.A garotinha sorrindo prosseguiu:

-Enquanto estivermos procurando ela vamos conversar sobre todo o tipo de assunto, assim quando chegarmos lá teremos conhecido bastante um do outro, certo?

Começamos a caminhar por uma estradinha estreita em direção às montanhas e logo conversávamos sobre todas as coisas, e a medida em que nos deparávamos com as semelhanças íamos entrando em uma harmonia maravilhosa...

Como duas crianças que encontram uma caixinha enterrada no jardim;

Quando ela teve sono, dei-lhe colo e contei historinhas;
quando eu sonhava ela vinha e me fazia companhia, deixava meu sonho mais alegre.

Os dias passavam e de mão dadas já nem lembrávamos direito que tínhamos como objetivo primordial encontrar o lago e a casinha; a garotinha tinha um sorriso de todos os sorrisos juntos e a paisagem se confundia com ela e todas as casinhas e lagos que findávamos pelo caminho nos passavam desapercebidos.

O amor nos cegara.
As semelhanças tinham transformado eu e aquela garotinha numa só pessoa.
Um só ver, dividido em dois corpos.

Senti os primeiros pingos de chuva cair,
o primeiro deles caiu em meu rosto e rolou como uma lágrima;

Trovões, e cada um gritando de dentro daquele corpo único
eram dois em um só;
Pus meu casaco sob a cabeça dela e corremos até uma pequena gruta recém-descoberta naquele momento de aflição.

E ela estava se sentindo mal, perguntou por que a chuva era tão má e que iria deixá-la doente.
Defendi as gotas de chuva, pois elas são simplesmente gotas de chuva.
e ela disse que não, só porque elas estavam lhe fazendo mal.

Aquilo fez fissuras no nosso ser único e fez que com os dois saíssem rapidamente, como que por um movimento involuntário; e nos vimos de fora.

Eu não acreditei que aquilo pudesse acontecer, aliás, nunca imaginaria..
e a garotinha chorava dizendo que eu tinha estragado tudo...

Eu só dizia que não.

A manhã chegou, fria e nublada;
ela nos meus braços.

Falávamos agora sobre o medo. Ela tinha certeza de que eu tinha causado aquilo tudo..
e eu tinha medo de perder ela, ela de me perder.

O medo apareceu.
Sentou-se na nossa frente e perguntou o que nós tinhamos a lhe dizer.
Eu e a garotinha nos entreolhamos por alguns instantes.. ela sabia que eu ia responder algo que fosse bom pra nós.. estava na minha expressão.. não tinha como ela não saber..
Mas ela falou antes de mim.

E disse que tinha medo. O medo pegou na mão dela;

e ela lhe disse que eu preferia as gotas de chuva à ela.


-E se eu tivesse de escolher entre as duas? -me perguntei.

Era algo fora de questão.

Novamente o som das rachaduras...

O brilho da lágrima em seu olho;

a última gota que eu iria ver a partir de então.


Começamos a travessia para longe do domínio do medo,
rumo ao mar das incertezas e com os sorrisos mais fadigados com a insistência do sol em nos queimar, friamente...


Uma leve distância de nossos corações, mais uma vez poderia pôr em risco nossa jornada: uma pequena ponte,que com sua humilde estrutura só comportava um peso por vez.

Estendi minha mão para a garotinha,
sorri como a aurora boreal imaginando o outro lado;

Seus passos leves acariciaram cada tábua daquela ponte
e com a festa dos pássaros ela me chamou do outro lado.

O vento soprou forte e como num piscar de olhos a ponte tinha desaparescido.

Um sentimento repentino e infantil tomara-me por alguns milésimos de segundo ao ver a garotinha do outro lado da ponte.

E agora a ponte não estava mais lá.

Não pude deixar de perder a conta dos meus dias depois disso...

Todos os dias ela vem sorrir para mim e me contar como é a tal casa no lago.
Ela reclama que não chove lá,
eu falei pra ela..
que eu não abro mão dela
Mas já me arranjei com as gotas de chuva;
elas se encantaram com as nossas histórias.

No ínicio foi difícil,
mas por fim eu convenci elas que a sua lágrimazinha de felicidade tem o sabor de mil tempestades;
E que eu poderia convencer cada gota de chuva disso

Talvez não pudesse convencer a garotinha..
porque esse nunca foi o meu propósito.

E brigaria com cada gota de chuva por ela.

Por aquela garotinha que me contou de uma casa no lago,

e que no fim das contas eu acabei nem chegando no lago...

Mas isso nunca me fez falta..
nem a chuva e nem a estrada;
se comparada a ela.







Ela fez uma casa e um laguinho e mora comigo no meu coração.

segunda-feira, maio 08, 2006

Roubaram minha coleção de sorrisos...

O frio veio, me trouxe damas-da-noite;
e arrancou mais sorrisos, devolvendo-os aos seus colecionadores.

Traz consigo tantas vontades e sonhos...

Sonhos com garrafões de vinho e cobertores;
e todas aquelas coisas da realidade:
que nunca serão comparáveis com o cheiro da chuva em meu sonho.


Estourei uma garrafa de juventude e comemorei mais uma vez o início dos tempos.

Flores de todas as cores para adornar o tráfego intenso de terrestres;
que andam em círculos tentando se tocar:
com as mãos pegajosas
se perdem em si próprias
e colocam a culpa nas flores.

Tropeço no céu para fazer algum som:
Escuto a coleção de sorrisos e a chuva em meu sonho.

Saio com todas as cores em meu bolso, aonde já estavam as canções:
encontro você e vamos em direções contrárias, olhando para trás.

Após algumas caras no poste no encontramos de novo e as cores não estão mais no meu bolso;
seu sorriso eh o da minha coleção inteira
e eu sinto novamente o cheiro da chuva do sonho...

aonde diabos foram parar aquelas cores?





[na vitrolenha] Chico Buarque - seila..

Declaro guerra contra a beleza.

Graças a ela, perdemos o senso.

Deveras, por ela encontramos um prazer estranho e barato, errado.

O que é bonito pra você não parece pra mim;
Você é linda e atrai as pessoas com isso:
Você é feia e atrai as pessoas por isso.



Vejam bem, se estás a observar uma beleza interna ninguém te perturba;
mas se prendes teu olhar às formas, logo te sentes como um palanque no banhado.

A união das duas resulta numa exceção, menos comum nos dias de hoje.


Indignado, nao desisto;
pois sei q tua parte agradável apenas aos olhos há de acabar;
enquanto tua beleza perdurará por todo o sempre.

Enquanto o sempre se resume a este instante,
continuamos numa troca febril de perguntas e sorrisos;
um interlúdio de incertezas.

Não é meu sono que é pesado, é o acordar que é.

Acordar, fazer se perder no dia o êxtase da noite;

Encontrar corpos apodrecendo e plantas que nascem.
Confundir.
Esquecer.

Lamentar, levantar e reagir:
encontrar os mesmos corpos já podres e as árvores quase morrendo...

E dum sorriso tirar subsídio pra sorrir em meio a um oceano de espinhos
Dos espinhos fazer uma armadura:

Morrer pela própria armadura, como uma cobra que morde a língua.


Não tem como entender, ao mesmo tempo que o entendimento pertence ao nosso âmago...
Quero confundí-lo, como ele quer me confundir


Quero te sentir..






[na vitrolenha] Chico Buarque - Não sonho mais

Não acenda as luzes ainda, espere um pouco...

Tem um bocado de vagalumes por aqui, eles brilham e me fazem querer ficar.

Eles gostam de você pelo jeito, dizem que o teu brilho é singular;
Você sorri e me diz que é só o reflexo do meu:
eu me olho no espelho e não vejo imagem alguma, sento, tomo um café...

Ridicularizo algumas pessoas nas imagens vagas de minha memória,
confundo os acontecimentos, lido com as energias e resolvo escrever mais uma vez;
repleto da mais inocente pretensão de ser inédito, sensato.

E é sempre como caminhar pelas ruas a noite:
excitante e perturbador.(*)

Vou caminhando por elas com canções, garrafas, amigos..
vou deixando tantas coisas para trás;

Certa vez parei e fiquei olhando:
e desde então deixei também algumas certezas;
tantas, que são incontáveis e indescritíveis.
inacreditáveis...
mas não impossíveis.

Impossível, é algo poder separar-nos.
Porque simplesmente não pode e está acabado, é simples assim.
Díficil é quando tentamos falar sobre, dar nomes;
e deixamos de viver
como a todo momento fazemos sem nos percebermos;

Não percebemos o suficiente, nunca teremos o suficiente;
já temos o suficiente.



O vento assovia lá fora avisando que o frio voltou.
e ele continua menos gelado do que os nossos corações, distantes...




Por hora na fila da inclusão terrena
me poupe dos detalhes!



(*) - Nota - Ow mania de adjetivar tudo, q saco!

[na vitrolenha] Burzum - todos os discos

segunda-feira, maio 01, 2006

Mordo os lábios...
como se a culpa de tudo fosse deles.

Sinto o sangue ferver, borbulhando no cérebro;
sem mais,
nem menos...

As pernas fraquejam, mas nao posso cair.

O medo vem, e eu tenho de enfrentá-lo
Também vem o amor na sua cola;
mas este não se aproxima muito, sorri:
e se dissipa ante minha reação nula.

Todos tem um lugarzinho secreto, escondido.

O meu fica dentro de mim.
as vezes se deixa mostrar
quer conhecer?

Quem já foi até lá voltou diferente.

Fui eu mesmo quem decorou, por que você não quer vir?
Sim eu sei, não tenho cuidado bem dele..
bem que eu podia pôr pixe pra não vazarem as lágrimas
mas aí então as de alegria seriam contidas também...
Elas são as minhas prediletas.

Por que querem roubar nossa loucura? Por que tentam compreênde-la?
E insistem em separar a dor da felicidade;
arranjam mais adjetivos que seus sentidos jamais possam sentir:
Têm uma palavra diferente para cada coisa enquanto vivem em sua mesmisse.

A razão, bêbada como de praxe, me perguntou como eu podia amar desta forma.
Contei-lhe que o amor é mais do que o seu próprio nome, e não precisava de retorno;
a recompensa é imediata na presença de quem se ama
e não necessita de um toque físico;
que pode por em risco o enlace de duas almas.

Assim te amo.