Dies Irae

quarta-feira, abril 26, 2006

Tenho a impressão agora de que ao passar meus pensamentos para um papel eles morrem um pouco.. não parece ter fundamento, mas tem sim.

Agora a pouco eu rabisquei algumas coisas e a perspectiva foi mudada na sequência, mas os rabiscos não. A idéia já era totalmente diferente, mas no papel ainda era aquela de antes.. morta.

E assim passo o outono fitando teu trejeito, sem anotar mesmo, para que ele seja sempre diferente.
Que eu possa me esquecer do momento mais intenso...
logo após dele ser consumado;
que não seja lembrado depois:
para que um novo seja vivido.

Ou se por acaso for o último
que se compare a noite, bela e vazia;
escura, e cheia de beleza:

O último é o primeiro;
e aí então seremos muito mais semelhantes do que agora



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Pretensiosidade e ambição;
as lágrimas duma alpargata velha esquecida por sua senhora.

Dois vasos bem grandes de argila e todos os sentimentos neles contido:

Um corredor comprido, cheio de luz
foi lá que eu perdi minhas canções uma vez;
chutei-as e compus novas:
toquei-as, tive fome, troquei-as por comida.

Foi quando então, esmoreci;
meu gosto pela vida havia acabado naquele instante, foi quando eu apertei o botão verde.
Abri minha caixa de correio e tinha uma barata e uma carta:


"Você não pode definir a nossa ligação;
pode apenas senti-la.
Também não consegue negar nossas semelhanças;
mas pode fugir delas...
como foge sempre de si mesma, todos os dias ao escovar os dentes.

Não sabe quem é...

Eu também, acho que esqueci na verdade..."

Matei a barata, rasguei a carta
eu não podia ver...

deixei minhas coisas pra trás e fui compor novas:
a fome haveria de voltar.

Last cigarrete ;]




som? sim! -> mas hj eu não falo ;x (ninguem responde mesmo..)