Dies Irae

sábado, abril 22, 2006

Um novo amanhecer...

Com os mesmos raios de sol que não foram convidados;
linhas tortas, clichês e esquecidas: almejar futilmente...

Rendido à carne e entregue a loucura,
agora muito me resta.
Os raios adentram-se no calar da noite, bem vindos, agora;

Mais um dia.. o licor da aurora
brinda a mesa vazia, banha a perversão reprimida:
o contraste da alma, os cardaços desamarrados.

oh agonia!
acho que porventura atingi teu limiar com o prazer;
e findei na tristeza imensurável paixão...
adormeci, e acordei ao lado da razão:
mas esta estava bêbada,
e me deu um não.

Quão contente fiquei,
quando com o outono fui ter;
e ele sorriu me dizendo:
que em seus dias o frio não impera mais como antigamente,
e as folhas das árvores não caíam como antes
e que tudo isso estava relacionado com a harmonia plena.

Não pude conter uma lágrima...
duas.. uma para as árvores que não estavam mais lá;
e outra para a estratosfera e suas fissuras irreversíveis.

e disse a ele que eu também estava feliz.

E não contei que a razão estava bêbada;
ele iria perder os sentidos, e eu já estava pensando exatamente em pedir alguns para ele..
Não é verdade..?
Outono..


almejar futilmente...


os raios agora cortam o frio;
não conseguem penetrar pelo frio dos repugnantes corações humanos...
mas queimam o seu invólucro num ardor bestial
afim de tornar em chamas tal suposto orgão execrível;
sublimar uma carência de si próprios:
e o lança-los de volta ao seu vale, nefastos e taciturnos.





*ao som de Jimi Hendrix - Castles made of sand ; numa nice [;