Dies Irae

segunda-feira, agosto 22, 2005

-Bom dia!


Alguns minutos depois tomei consciência do que se passava:
-Bom dia o caralho, quem mandou você entrar aqui?

-Mas eu precisava muito falar com você, amor.

Piorou.
Amor? Que diabos é isso?

-Se eu sou amor nem queira ver o ódio. Pode sair agora?

Não contente ainda fui procurar no dicionário:

Amor - Palavra esquecida, gasta e aposentada por excesso de uso indevido.

-Tudo bem, pode falar, "amor"..

-Poxa, o que você tem hein? Anda bebendo, tão desanimado..

Mas que maravilhoso começar o dia assim - pensei

-Pior que ultimamente nem tenho sentado mesmo pra beber hehe.. veja bem:
(e não se esqueça de acrescentar uma nota ao dicionário)
Eu não preciso justificar nada, o meio ja fala por si.
Bons eram os tempos em que o amor ainda caminhava e sem talão de cheques no bolso.
Cada vez que me esqueço de algo não me lamento mais.. é uma mini-vingança praticamente.
O som dos passos solitários no asfalto, hoje, são musica para os meus ouvidos
e os carros completam divinamente essa trilha sonora.
Rumo ao bar, as esperanças vazias despertam e me obrigam a mal e mal passar um gel no cabelo.
e é só.
Amanhã vamos todos acordar e voltar a mecanização humana.
Pelo futuro da cidade: Queimem o mercado!
Mas não queimem a minha camiseta com o cigarro, ja chega eu fazendo isso.

-Amor?
-Hauehuahua.

Eu acredito em você meu filho, pena que andas tão magrinho.
Acho que até você sucumbiu aos novos tempos.
Que merda hein?